• postada em 15 de Março de 2010
  • Humor
  • Conheçam a história de Almeidinha

Quantos Almeidinha (assim vou chamá-lo) não existem em São João do Piauí, sim aqui em São João do Piauí. Aquele empregado submisso, que só sabe dizer sim ao chefe, que entrega os colegas, que só vive aquela mesma vida a muitos e muitos anos. Que se trabalha em repartições, ou lojas privadas, é humilhado pelo chefe e até pela mulher do chefe. Se resolve trabalhar em repartição pública ( política) além de humilhado tem que votar onde o chefe manda, aliás, onde manda o sub chefe, a mulher do chefe e etc.
Conheçam o Almeidinha, ele chegou ao seu trabalho às 7h29, pontual como sempre. Ajeitou-se cuidadosamente sobre a cadeira e caminhou para o cafezinho. Dois dias depois, muitos diriam que já naquele momento Almeidinha parecia diferente. Em vez da cara de segunda-feira, Almeidinha estava com um sorriso. Sim, o cabisbaixo Almeidinha, que sempre andava arrastando os sapatos, agora mirava no horizonte. Tinha um ar de confiança. Voltou segurando o café, colocou o copo ao lado do computador e aguardou pacientemente, olhando o relógio.

Às 8h00 o chefe, chegou. Almeidinha esperara por aquele momento durante 35 anos. Engolira tantos sapos que já tinha um brejo na barriga. Hoje soltaria tudo de uma vez. Já ensaiara tantas vezes o que diria que não precisava nem mais pensar. Tudo sairia automaticamente. De dentro de sua sala, como sempre fazia, o seu chefe gritou: Almeidinha, traz um café para mim. A hora finalmente chegara.

- Vá pegar você! Aproveita e pelo menos anda até a copa, para exercitar essa bunda gorda, gritou Almeidinha.
A repartição parou.

- O que você disse, Almeidinha?, era o chefe, já vindo em direção à mesa do funcionário.

- Além de gordo você é surdo?, perguntou Almeidinha. Foi o que eu disse: se você quiser café, vai pegar. Tá pensando que eu sou teu boy?

- Mas o que é isso, Almeidinha?
- Além de gordo e surdo você é débil mental? Não entendeu o que eu disse?
-Olha aqui, Almeidinha, você está passando dos limites! Você está demitido, ouviu? Ora vejam só...

- Demitido, eu??? Eu é que me demito! – ele disse, dando um soco triunfal sobre a mesa, enquanto o povo ensaiou um aplauso, detido pela cara do chefe.

Almeidinha saiu do local e ligou seu Chevette 78. O carro não ligou. Pacientemente, abriu a mala, tirou um galão de gasolina que levava como reserva (o marcador de combustível não funcionava e ele não podia correr o risco de parar na rua) e derramou em cima do carro. Puxou um fósforo e acendeu. Enquanto o carro pegava fogo, Almeidinha gargalhava de uma forma que fazia o Coringa do Batman parecer triste.

Parou num bar, bebeu tudo o que podia e pagou para todos. A mulher estranhou vê-lo de volta trôpego.

- Ué, o que você tá fazendo à essa hora em casa e bêbado, Almeidinha?

- Eu não te dou mais satisfação da minha vida.

- Almeidinha, você tá louco?

- Louco eu tava há 40 anos, quando casei com você. Aliás, com você não. A mulher que eu casei era uns 200 quilos mais magra.

Lurdinha saiu chorando. Almeidinha sentou na sofá da sala e começou a pensar em sua nova vida. Nunca mais comeria em restaurante barato, nunca mais recortaria um cupom de promoção.
Pra começo de conversa, chega dessa conversa de Almeidinha. Não é porque ele tinha um metro e sessenta e dois que ele ia ser chamado no diminutivo. Senhor Almeida. Bastava tocar uma sinetinha e os empregados viriam.
Trrriiim. “O que o senhor deseja, senhor Almeida?”.
Trriiiimm. “Quer mais caviar, senhor Almeida?”.
Trrriiim. “O vinho estava bom, senhor Almeida?”.
Trrrimmm. Triiiim. Trriiiiim. Era o telefone de casa tocando. Do outro lado, uma voz feminina

- Alô, o Almeidinha está

- Você quer dizer Senhor Almeida?

- Sim, pode ser. O senhor Almeida está?

- Quem quer falar com ele?

- Boa tarde, senhor Almeida. O senhor é um dos vencedores da Megasena só que seu cartão não foi registrado na lotérica, sentimos muito.

Aguardem a segunda parte.

Fonte nilldiaspolitica.blogspot.com